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“Tribal” de Michael Morris

A resposta pode ter várias interpretações, mas, Michael Morris, psicólogo cultural na Universidade de Columbia, EUA, e também consultor de empresas, agências governamentais, ONG e campanhas políticas, aponta um caminho.  

O desafio de Tribal (Temas e Debates, 2026) resulta assim numa leitura ambiciosa e provocadora sobre um dos conceitos mais debatidos da atualidade: o tribalismo. Longe de o tratar apenas como sinónimo de divisão ou conflito, o Morris procura demonstrar que esta tendência profundamente humana é também a base da cooperação, da identidade coletiva e da própria evolução cultural.

Para isso, parte de um enquadramento da psicologia cultural para sustentar a sua tese: «os comportamentos humanos são moldados por instintos sociais herdados, que continuam a influenciar decisões individuais e dinâmicas coletivas no mundo contemporâneo».

O livro organiza-se em torno de três forças centrais: o instinto de pertença ao grupo; seguir figuras de referência; respeito pelas tradições. Em conjunto, essas premissas explicam como as culturas se formam, se mantêm e transformam,-se podendo o leitor acompanhar os diferentes pensamentos numa trilogia de capítulos denominados: Ativadores tribais, Sinais tribais e Ondulações tribais. 

Ao longo deste muito interessante e desafiador livro, o autor recorre a um vasto conjunto de exemplos que atravessam contextos históricos, políticos e empresariais. Desde movimentos sociais a estratégias corporativas, Morris ilustra como estas «forças tribais» podem tanto alimentar fenómenos de polarização como facilitar processos de mudança cultural. Um dos pontos mais interessantes da obra é precisamente esta ambivalência: o mesmo mecanismo que pode gerar conflito pode, em determinadas condições, ser mobilizado para promover cooperação e inovação.

A narrativa vai sendo apresentada com ritmo e clareza, numa escrita que cruza investigação académica com storytelling, com Morris a demonstrar notável capacidade de traduzir conceitos complexos em ideias acessíveis, recorrendo a episódios concretos que tornam a leitura envolvente.

Entre algum deve e haver, Tribal afirma-se como uma obra relevante para compreender o presente. E ao propor que o tribalismo não deva ser eliminado, mas antes compreendido e orientado, Morris oferece uma perspetiva que junta fenómenos como a polarização ou as guerras culturais. A sua principal força reside precisamente nessa inversão de olhar: aquilo que nos divide pode ser, afinal, o que nos permite agir em conjunto. E isso é já uma porta que se abre a uma maior reflexão sobre como pensamos identidade, cultura e pertença. No equilíbrio que daí possa resultar, entre explicação e perguntas, reside o maior mérito de Morris.

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