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Filipe Sambado regressa ao passado com “5678”

O novo álbum de Filipe Sambado chama-se “5678” e marca um regresso ao passado do músico português. A escolha do título não é inocente: remete diretamente para o EP «1234», lançado em 2012, e estabelece uma ponte simbólica com o início da sua carreira. Mais do que uma continuação, “5678” funciona como uma revisitação — um novo olhar sobre o tempo, onde o artista explora memórias e emoções antigas como se as estivesse a viver no presente.

Musicalmente, o disco revela um redescobrimento do cancioneiro de Sambado, agora atravessado por guitarras elétricas que dão corpo a canções sobre dores românticas, ora sussurradas, ora gritadas. Essa tensão entre suavidade e intensidade percorre o álbum e traduz-se numa narrativa de vulnerabilidade exposta, fiel à identidade artística que tem marcado o percurso do músico.

Em “5678”, o artista assume a suspensão entre presente e passado, celebrando a passagem do tempo sem perder o impulso de seguir em frente. O lançamento surge também integrado nas comemorações dos dez anos de “Vida Salgada”, o disco que em 2016 projetou Sambado para o centro da nova música portuguesa. Para assinalar a data e o novo trabalho, o artista apresenta-o ao vivo no Porto, a 27 de Março, e em Lisboa, a 4 de Abril, prometendo concertos onde o passado e o futuro se fundem.

Filipe Sambado explica que parte da inspiração para o disco surge de experiências muito pessoais, descritas como momentos de solidão e invisibilidade em espaços quotidianos. “Faz sempre muito frio no Lidl”, confessa, referindo-se a esse ambiente como metáfora para um estado emocional profundo. As novas canções nascem dessa sensação de deslocação, de quem sobrevive no meio da rotina e encara o isolamento com uma mistura de ironia e ternura.

“5678” é, assim, tanto um reencontro como uma renovação. Ao revisitar o passado, Sambado constrói pontes entre diferentes fases da sua história musical, ampliando o espaço emocional onde sempre se moveu — entre a memória e o desejo, o íntimo e o coletivo. Com uma sonoridade mais crua, mas igualmente poética, o álbum confirma que o músico continua a reinventar-se, fiel à sua forma singular de transformar a experiência pessoal em canção.

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